Eu tive muitos erros e muitos acertos na minha carreira que me trouxeram até aqui.
Com todas essas situações eu aprendi muito e nunca deixo de refletir sobre cada passo. Com frequência, essas reflexões aparecem também nas conversas que tenho com colegas, profissionais de outras áreas e lideranças em diferentes estágios de carreira. O tema é recorrente: como avançar? Como crescer sem perder coerência? Como se manter relevante em um mercado em constante transformação? Como não perder velocidade e qualidade?
Não tenho respostas prontas, e não acredito que muitas pessoas tenham. Mas carrego comigo um fundamento que, por todas essas minhas experiências, me parece funcionar bem: a responsabilidade pela minha carreira é sempre minha. Não é dos meus líderes/chefes, não é do RH, não é do planejamento estratégico da companhia. É minha!
No seu caso, acredito fortemente que deve ser sua! Que você deve se apoderar dela!
A empresa pode oferecer caminhos, ferramentas, oportunidades, pode abrir espaço, dar visibilidade, confiar – como várias fazem – mas é você quem precisa enxergar sentido, escolher, agir.
E é isso que tento devolver para as pessoas quando me perguntam sobre o tema: não conselhos, mas perspectiva dos caminhos que eu percorri e das pedras onde eu tropecei. A carreira não se define em linha reta, ela se desenha por escolhas constantes, por aproximações sucessivas, por experimentação consciente, por intencionalidade.
O mercado hoje valoriza protagonismo, mas protagonismo não é se mover o tempo todo, é saber por que se move, é conectar aquilo que você faz agora com aquilo que quer construir a longo prazo, com o seu propósito. Não há um único jeito de fazer isso. Mas, há sinais que ajudam: – Você assume projetos que saem da sua zona de conforto? – Você sabe em que áreas precisa se desenvolver, e está fazendo algo a respeito? O famoso autoconhecimento! – Você tem clareza sobre o que valoriza, e consegue alinhar isso ao seu trabalho atual? – Você tem relações de troca com pessoas que te inspiram, mesmo fora da sua empresa? – Você sabe o que você quer e, mais importante, o que você não quer para a sua carreira?
Essas perguntas são mais úteis do que qualquer plano de carreira pronto porque a busca porque a busca pelas respostas abre um horizonte muito maior diante de nós. E essas perguntas se tornam ainda mais importantes quando você realiza algo inegável sobre a sua carreira: ela é uma ultra maratona e não uma corrida de 100 metros. Em uma entrevista ou em um processo para uma posição você não será avaliado por ter sido o mais rápido. Será avaliado por ser o melhor preparado. E ninguém consegue treinar por você.
Sobre as lideranças, adiciono uma pequena, mas importante observação: apesar de entender que a minha carreira é minha, também entendo que meu papel de líder é abrir espaço para que as pessoas possam testar, falhar, reaprender, redesenhar seu caminho, desafiar suas crenças, agarrar o seu caminho. Liderar, é servir ao crescimento do outro, não com promessas, mas com intenção e de coração.

